PPARB 2026
Fortalece unidade metodológica e
consolida identidade institucional da
Comunidade Bethânia
Encontro reuniu representantes dos oito recantos da região Sul e Sudeste para formação, alinhamento estratégico e fortalecimento da missão de acolher e restaurar vidas
A Comunidade Bethânia realizou, nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1º de março, o Encontro Anual do Projeto Pedagógico de Acolhimento e Restauração Bethânia (PPARB 2026). O evento reuniu 40 representantes dos oito recantos situados nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Com o tema geral “Acolhimento na Comunidade Bethânia”, o encontro foi direcionado a Responsáveis Técnicos, Moderadores, Administradores e lideranças das equipes, consolidando-se como espaço estratégico de formação continuada, alinhamento institucional e planejamento para o ano de 2026.
Mais do que um momento formativo, o PPARB reafirmou a unidade metodológica da Comunidade, fortaleceu sua governança e renovou o compromisso com a restauração integral de pessoas marcadas pela dependência química.
O Projeto Pedagógico como fundamento da missão
Instituído em 2017, o Projeto Pedagógico de Acolhimento e Restauração Bethânia sistematiza princípios, métodos e critérios que orientam o trabalho nos recantos, assegurando coerência entre identidade carismática, espiritualidade e prática técnica.
Para Vanessa Maria Pscheidt, Analista de Projetos Sociais, o Projeto Pedagógico expressa o fundamento da existência da Comunidade:
“A importância do Projeto Pedagógico na Comunidade Bethânia expressa o sentido desse serviço existir e orienta como ele deve ser executado. O encontro traz segurança e direcionamento às equipes que estão na linha de frente do acolhimento.”
Já Josiane de Andrade, Analista de Recursos Humanos, destaca seu caráter estratégico:
“O PPARB transforma a missão de restaurar vidas em diretrizes claras, estruturadas e aplicáveis na rotina diária. Ele garante alinhamento institucional, padronização de procedimentos e qualidade no atendimento.”
O Projeto consolida a experiência acumulada pela Comunidade ao longo dos anos, estruturando o acolhimento com responsabilidade técnica, clareza metodológica e compromisso humano.
Gestão estruturada e corresponsabilidade institucional
Para Anderson Bento Garcia, Gestor Administrativo e Financeiro, o encontro responde a uma necessidade concreta de unidade na qualidade:
“O trabalho exige uma estrutura organizada que assegure qualidade no serviço de acolhimento. O encontro surge diante do desafio de manter a mesma entrega e o mesmo padrão de qualidade em todos os recantos.”
Ele reforça:
“Respeitamos as particularidades de cada recanto, mas buscamos um padrão no sentido de qualidade, que entregue o resultado necessário no atendimento do filho, especialmente dos mais fragilizados.”
O PPARB representa, assim, um gesto concreto de corresponsabilidade, reunindo lideranças para discutir os desafios práticos da operacionalização diária do acolhimento.
Unidade entre os recantos: um só “rosto Bethânia”
O Consagrado Elvis Cedro destacou que o Projeto Pedagógico garante identidade comum entre as casas:
“Apesar de estarmos em diferentes estados,
conseguimos manter a mesma dinâmica de acolhimento.
Quem está em Santa Catarina pode ir para Minas Gerais e vivenciar a mesma experiência.”
Ele reforça:
“Que o filho saiba que, independentemente do recanto em que estiver,
encontrará o mesmo amor acolhedor e a mesma forma de trabalhar.”
Essa unidade assegura que o acolhimento seja marcado pela identidade institucional, independentemente da localização geográfica.
Três dias de formação integral
A programação integrou espiritualidade, técnica, gestão e planejamento estratégico, conduzida por profissionais qualificados nas áreas de saúde mental, assistência social, gestão e formação humana.
27 de fevereiro | Cuidar de quem cuida e centralidade da pessoa
A formação “Cuidando de Quem Cuida” foi conduzida por Mileine Vargas Melo, psicóloga, mestre em Psicologia com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental e Saúde Mental e Comportamento, que abordou o impacto emocional da missão sobre as equipes e a necessidade de autocuidado estruturado.
Na sequência, Roseli Nabozny, assistente social com especialização em Dependência Química e Saúde Mental, aprofundou o Plano de Atendimento Singular (PAS), destacando a escuta qualificada, o planejamento individualizado e o cuidado centrado na pessoa. No período da tarde, desenvolveu a temática Espiritualidade Aplicada ao Acolhimento, reforçando a integração ética e madura da espiritualidade no processo terapêutico.
O dia foi concluído com visita ao Memorial Padre Léo, fortalecendo a memória carismática da Comunidade.
28 de fevereiro | Tratamento integrado, prevenção da recaída e reinserção social
A temática Saúde Mental e Tratamento Integrado foi apresentada por Thiago Zimmermann Visconti, psicólogo com especialização em Terapia Cognitivo- Comportamental, enfatizando a abordagem interdisciplinar e a compreensão integral da dependência.
Na sequência, João Vicente Paes, fiscal sanitário, apresentou orientações técnicas sobre manejo de medicamentos, reforçando a responsabilidade sanitária e legal dos recantos.
As formações sobre “A Recaída: Conceituação, Manejo e Prevenção” e “Reabilitação Psicossocial e Reinserção Social” foram conduzidas por Edson Eckel, psicólogo com especialização em Saúde Mental e Dependência Química com ênfase em Comunidade Terapêutica.
Na abordagem sobre recaída, Edson destacou fatores de risco, gatilhos emocionais, sinais precoces e estratégias preventivas estruturadas, reforçando que a recaída deve ser compreendida como fenômeno clínico, e não como fracasso moral.
Na temática da reinserção social, enfatizou-se que a restauração não se encerra na abstinência, mas culmina na reconstrução da identidade, no resgate da dignidade e na retomada da autonomia responsável, envolvendo trabalho, vínculos familiares e participação comunitária.
Matheus da Rocha, psicólogo com especialização em Gestão de Pessoas e Projetos Sociais e Coordenador de Projetos Sociais da Comunidade Bethânia.
Matheus destacou:
“A proposta não foi trazer respostas prontas,
mas provocar reflexões profundas sobre o acolhimento que estamos realizando hoje e sobre aquilo que ainda podemos melhorar.
Mais do que um evento pontual,
o PPARB pretende ser o início de um movimento contínuo de crescimento pessoal e institucional.”
1º de março | Vida Plena e horizonte preventivo
O momento do Projeto Vida Plena: O Cuidado Integral como Prática Diária foi conduzido pelo Seminarista e Consagrado Gabriel Valenga, bacharel em Filosofia com especialização em Antropologia Personalista, com a colaboração de Monalisa Benetelli, formada em Nutrição Comportamental e Clínica.
Gabriel destacou:
“Uma casa sem projeto é uma casa que pode cair.
O Projeto é aquilo que foi pensado, organizado e estruturado para que a construção permaneça.”
Inspirado na espiritualidade da casa de Betânia, apresentou a visão integral da pessoa humana:
• Marta — dimensão física
• Lázaro — dimensão psicoafetiva
• Maria — dimensão espiritual
Monalisa reforçou o caráter norteador do Projeto:
“O Projeto tem uma grande importância porque,
a partir dele, conseguimos enxergar o caminho que precisamos percorrer no acolhimento,
que é a nossa grande missão.”
Ela também destacou o desafio de unificar realidades distintas:
“Apesar de culturas e públicos diferentes, o acolhimento é um só. Precisamos olhar para o mesmo caminho.”
Ao abordar o eixo Vida Plena, enfatizou o testemunho prático:
“É importante que isso seja praticado primeiramente em nós, para que possa transbordar nos nossos filhos e filhas.”
Sono restaurador, atividade física, alimentação saudável, reconstrução de laços familiares, espiritualidade e lazer foram apresentados como dimensões concretas de uma vida equilibrada.
“Eles precisam enxergar em nós que Betânia realmente proporciona essa vida plena. Não como imposição, mas como testemunho.”
Um acolhimento que ultrapassa a técnica
Para Anderson Bento Garcia:
“Além do aprimoramento técnico, quisemos proporcionar às lideranças um senso de autocuidado.”
Ele reforçou a importância da empatia, da autonomia, da esperança e da coletividade como fundamentos de um acolhimento restaurador.
Ao recordar o fundador, sintetizou:
“Não devemos ser melhores do que os outros, mas melhores para os outros.”
Vida Plena, envio missionário e espiritualidade da transfiguração
O encontro foi encerrado com a Santa Missa no Leozão, presidida pelo Padre Lúcio BTH, que, em sua homilia, trouxe uma profunda reflexão à luz da festa da Transfiguração do Senhor.
Partindo do Evangelho, o sacerdote fez um paralelo direto com a missão da Comunidade Bethânia:
“Bethânia também precisa ser esse lugar da transfiguração. O contrário de transfiguração é desfiguração. E é assim que chegam muitos dos nossos filhos: desfigurados pelas marcas da vida, pelos traumas e pelas feridas. A nossa missão é ajudá-los a passar da desfiguração para a transfiguração segundo aquilo que Jesus quer.”
Ele recordou que essa espiritualidade era muito cara ao fundador, Padre Léo, e destacou que todos os membros da Comunidade; consagrados, colaboradores, voluntários e amigos; possuem uma vocação santa:
“Todo aquele que vem a Bethânia não vem por acaso.
Deus chamou.
Você, consagrado, colaborador, voluntário, não está aqui apenas como funcionário.
Está aqui por uma missão.”
Padre Lúcio enfatizou que a transfiguração precisa começar em cada um:
“Primeiro de tudo, nós precisamos nos transfigurar.
Não adianta querer mostrar para o mundo que Bethânia é um lugar bom se nós não vivermos Bethânia aqui dentro.
Não há testemunho sem coerência de vida.”
Ao fazer referência ao tema da Vida Plena refletido no encontro, destacou:
“Se queremos uma vida plena, primeiro eu preciso viver essa vida plena.
Não para mostrar ao outro, mas para ser coerente com aquilo que Deus me chamou.”
Em tom pastoral e firme, recordou que o testemunho fala mais do que palavras:
“Não dá para cobrar do outro aquilo que eu não vivo. Precisamos ser coerentes, precisamos ser transfigurados.”
Ele também ressaltou a dimensão da bênção e da responsabilidade espiritual de cada membro da Comunidade:
“À medida que somos bênção na vida do outro, a bênção volta para a nossa vida.
Se desejamos uma família abençoada, precisamos primeiro ser bênção.”
Dirigindo-se diretamente aos colaboradores e lideranças presentes no encontro, afirmou:
“Você, colaborador de Bethânia, não está aqui para ser apenas um funcionário.
Você está aqui por uma missão.”
A homilia concluiu reforçando que o acolhimento exige firmeza com ternura, verdade com amor, disciplina com afeto — como ensinava Padre Léo — e que a transfiguração dos filhos passa, necessariamente, pela transfiguração interior de quem acolhe.
Encerrando a celebração, Padre Lúcio convidou todos a rezarem pedindo um coração transfigurado, capaz de testemunhar Cristo no cotidiano da missão.
Conclusão Final Integrada
Com a celebração eucarística e o envio missionário, o PPARB 2026 encerrou-se não apenas como um encontro formativo, mas como um momento de renovação espiritual e institucional.
A reflexão sobre a transfiguração sintetizou o propósito de todo o encontro: formar equipes técnicas competentes, lideranças conscientes, comunidades unidas e corações coerentes com o carisma.
O PPARB reafirma que a Comunidade Bethânia integra espiritualidade, metodologia, gestão responsável e formação contínua para garantir um acolhimento estruturado, humano e fiel à sua identidade.
Ao fortalecer a unidade entre os recantos, investir na qualificação técnica das equipes, ampliar o cuidado com as famílias e consolidar o eixo da prevenção, a Comunidade projeta o futuro com maturidade institucional e esperança cristã.
Mais do que organizar processos, a Comunidade Bethânia forma pessoas, sustenta famílias e constrói, com responsabilidade e fé, caminhos concretos de transfiguração e restauração de vidas.
Compromisso renovado com a restauração de vidas
O PPARB 2026 reafirma que a Comunidade Bethânia integra espiritualidade, metodologia, gestão responsável e formação continuada para garantir um acolhimento estruturado, humano e fiel ao seu carisma.
Ao fortalecer a unidade entre os recantos, investir na qualificação técnica das equipes, ampliar o cuidado com as famílias e consolidar o eixo da prevenção, a Comunidade projeta o futuro com maturidade institucional e esperança cristã.
Mais do que organizar processos, a Comunidade Bethânia forma pessoas, sustenta famílias e constrói caminhos concretos de restauração de vidas.