A Igreja São Benedito, localizada na comunidade de Itajubá, em Delfim Moreira (MG), cidade natal e onde passou a infância o Servo de Deus Padre Léo, foi contemplada com o projeto Arte na Capela, das artistas Cleuza Gonçalves e Tatiana Sallum. O projeto foi inscrito e aprovado pelo edital Paulo Gustavo, do Estado de Minas Gerais. A inauguração do novo espaço está marcada para 20 de novembro, durante a tradicional festa do Biguá.
Tatiana conta que conheceu a Igreja São Benedito em um dia em que foi ao local acompanhando a mãe. Ao entrar na capela, sentiu algo especial e percebeu que poderia contribuir de alguma forma. A partir disso, começou a reunir informações e organizar documentações para viabilizar um projeto de revitalização. Após tentativas frustradas junto a órgãos públicos e à arquidiocese, decidiu inscrever o projeto no edital Paulo Gustavo e, posteriormente, recebeu a notícia da contemplação.
“O projeto é uma obra grande e está na etapa de finalização. Esse é mais um presente de 2025”, explica Cleuza.
A iniciativa contempla uma obra de arte na parte interna da igreja, composta por azulejos pintados à mão e queimados em alta temperatura, retratando Padre Léo ainda menino, em cima de uma pedra onde costumava subir para “rezar missas”, já se imaginando sacerdote. Ao lado, estão representados São Benedito com o Menino Jesus no colo, o Biguá antigo e a paisagem da época, inspirada em uma fotografia antiga cedida por uma moradora local.
Na área externa, o projeto inclui também uma obra coletiva desenvolvida durante uma capacitação comunitária sobre pintura orgânica, técnica que utiliza elementos da natureza. A proposta visa unir arte e sustentabilidade, oferecendo formação artística e oportunidade de geração de renda para os participantes.
Sobre o Projeto Arte na Capela
O Projeto Arte na Capela, criado por mãe e filha, Cleuza Gonçalves e Tatiana Sallum, valoriza o turismo religioso e a arte sacra popular, levando obras em azulejos a capelas e pontos de parada de peregrinos, além de promover oficinas de capacitação para comunidades rurais.
O projeto já contemplou diversas rotas de fé e peregrinação, como a Rota Mãe Navegante (cinco painéis em azulejos), a Rota das Capelas (seis painéis e duas vias-sacras), o Caminho da Agonia (painéis no Santuário de Nossa Senhora da Agonia) e o Caminho de Nhá Chica (painel no Marco Zero). Agora, com o projeto Passos do Padre Léo, chega a Itajubá, em Minas Gerais.
Ao todo, mãe e filha já realizaram mais de 30 obras públicas e dezenas de restaurações de patrimônios históricos, além de atuarem em projetos sociais, ambientais e educativos que difundem o conhecimento artístico em comunidades rurais e instituições sociais.
Sobre as artistas
Cleuza Maria Gonçalves é artista plástica itajubense, mineira e autodidata. Herdou o talento artístico da mãe e começou a demonstrar habilidades aos seis anos de idade. Reconhecida nacionalmente, é consagrada por obras em azulejos, restauração de patrimônios históricos e pintura sacra. Recebeu prêmio do Governo de Minas Gerais pelo destaque cultural e dedica há mais de 74 anos à arte, compartilhando conhecimento com comunidades carentes, idosos institucionalizados, moradores de rua e estudantes.
Realizou restaurações de importantes patrimônios, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade, tombada pelo patrimônio histórico. Idealizou a Feira de Artesanato de Itajubá e integrou o primeiro Conselho de Cultura da cidade. Mantém um compromisso constante com ações sociais e voluntárias, revertendo parte do trabalho em benefício da comunidade. Atualmente, atua ao lado da filha, transmitindo saberes e incentivando a continuidade da arte entre as novas gerações.
Tatiana Sallum, artista plástica autodidata, restauradora de patrimônios históricos, produtora rural e psicóloga, representa a terceira geração de uma família de artistas do Sul de Minas Gerais. Filha de Cleuza Gonçalves, herdou a paixão pela arte e a dedicação à preservação da memória cultural. É artesã reconhecida pelo Programa do Artesanato Brasileiro e vencedora do Prêmio Mestre Lucindo, concedido pelo Ministério da Cultura.
Tatiana é fundadora e responsável pelo Ponto de Cultura Mantiqueira Cultural, por meio do qual promove projetos de inclusão, formação e valorização de saberes tradicionais. Atua em rede com artistas, associações e comunidades rurais, fortalecendo vínculos culturais e sociais. Suas obras estão presentes em igrejas, espaços públicos e coleções particulares em diversos estados brasileiros, unindo tradição, identidade e inovação.
A artista acredita que a arte é instrumento de transformação social, capaz de contar histórias, preservar memórias e inspirar comunidades.