O cheiro de pão assando remete à infância em família. Além de alimentar o corpo, o pão também nutre a alma. Foi com muita emoção que a cerimônia de formatura dos filhos e filhas da Comunidade Bethânia, participantes do curso de panificação, marcou essa experiência de aprendizado e afeto. A solenidade aconteceu na tarde de segunda-feira, 14.
A partir de agora, os formandos poderão aplicar os conhecimentos adquiridos tanto no processo de reinserção social quanto no mercado de trabalho. Também estarão aptos a criar memórias afetivas por meio do simples e significativo gesto de preparar o pão. Afinal, quem não aprecia uma mesa farta?
Participaram da cerimônia a professora e amiga da Comunidade Bethânia, Kátya Zunino; a moderadora do recanto de São João Batista, Tereza Dantas; o administrador John Ribeiro; o padre Djalmo Dantas; a coordenadora de acolhimento, Márcia Amorim; além de colaboradores, consagrados e demais filhos da comunidade.
Promovido de forma voluntária por Kátya Zunino, o curso de panificação reforça o processo de restauração pessoal vivido na comunidade. “É muito mais do que simplesmente aprender receitas. É amizade, trabalho em equipe, é estar junto em união. Eu ensino, mas digo a todos que aprendo muito mais com cada aluno”, afirmou, emocionada.
Esta foi a 13ª turma formada ao longo de sete anos de parceria com a instituição. O curso teve duração de oito aulas e ofereceu aos participantes conhecimentos básicos de panificação, permitindo que saiam preparados para atuar como auxiliares na área.
Mais do que capacitação profissional, a atividade promove convivência e troca de experiências. “O ponto alto é esse contato. Para a restauração dos filhos, isso é fundamental. Assim como no preparo do pão, há um passo a passo: a medida certa dos ingredientes, a ordem correta, o tempo de descanso. Tudo isso também se aplica à vida, à restauração”, explicou Kátya.
Durante a formatura, o aluno Leandro Alan dos Santos compartilhou como foi o processo e recordou lembranças da infância. “Lembrei muito da casa da minha avó, onde esperávamos o pão sair do forno para, juntos em família, saborearmos. Além disso, todo o processo, lavar os aventais, esperar a massa crescer, trabalhar em equipe nos ensinou muito. Vimos que o forno é como o coração: precisa estar sempre abastecido com lenha, ou seja, o Espírito Santo, para permanecer aquecido”, relatou.
Momentos como esse evidenciam a alegria e os novos caminhos que se abrem para cada filho da Comunidade Bethânia. Eles aprendem, se transformam e, como ensinava Padre Léo, acolhem o próximo como o próprio Cristo.
Cristiéle Braz Borgonovo
Jornalista SC 05404 - JP