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39º Fórum Catarinense de Comunidades Terapêuticas

39º Fórum Catarinense de Comunidades Terapêuticas

Evento reuniu autoridades, profissionais e instituições em São João Batista (SC) para aprofundar o cuidado com dependência química e saúde mental
A Comunidade Bethânia, no Recanto de São João Batista (SC), sediou no último sábado (25) o 39º Fórum Catarinense de Comunidades Terapêuticas, promovido pela ACOMTESC. O encontro reuniu gestores, técnicos, monitores, voluntários e representantes do poder público, consolidando-se como um espaço estratégico de formação, articulação institucional e construção de políticas públicas voltadas ao cuidado de pessoas em uso de substâncias psicoativas .
Desde a abertura, o evento evidenciou seu caráter técnico e institucional reforçando a missão comum de promover a vida, a recuperação e a dignidade humana .
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Fórum reforça articulação entre comunidades terapêuticas e poder público

Com início às 8h30, a abertura oficial destacou o Fórum como uma rede viva de cooperação:
“Mais do que um evento, este Fórum é expressão concreta de uma rede que acredita na restauração de vidas e na possibilidade de recomeço.” 
Compuseram a mesa de honra autoridades representativas do setor:
– Roseli Nabozny, presidente da ACONTESC e FEBRACT
– Fernando Henrique da Silveira, presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes de Santa Catarina
– Marcos Marcelino, secretário de Saúde de São João Batista
– Padre Lúcio, moderador geral da Comunidade Bethânia 
Durante as falas, foi reforçada a necessidade de integração entre comunidades terapêuticas e políticas públicas, bem como o enfrentamento ao preconceito ainda presente no setor .
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Palestra aprofunda diagnóstico e cuidado em saúde mental

Um dos momentos centrais do Fórum foi a palestra da psicóloga Micheli Krayevski Eckel, que abordou o tema:
“Comorbidades Psiquiátricas e suas Implicações na Dependência Química – Parte II” 

A especialista trouxe uma análise aprofundada da realidade vivida nas comunidades terapêuticas, destacando que a dependência química raramente ocorre de forma isolada:
“Não existe como olhar para o dependente químico sem olhar para o que caminha junto com ele.”
A fala introduz o conceito de patologia dual, que descreve a coexistência entre transtornos psiquiátricos e uso de substâncias — um dos principais desafios no tratamento .
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Diagnóstico exige tempo e critério técnico

Durante a exposição, Micheli enfatizou que o diagnóstico não pode ser precipitado, especialmente no início do acolhimento:
“Enquanto a pessoa está intoxicada, não é possível fazer um diagnóstico preciso.”
Segundo a especialista, é necessário um período de estabilização — muitas vezes de até 30 dias — para que os sintomas possam ser avaliados com clareza, evitando interpretações equivocadas .
Esse cuidado é essencial para garantir intervenções adequadas e respeitar a realidade clínica de cada acolhido.
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Comorbidades são regra, não exceção

A palestra evidenciou que a maioria dos acolhidos apresenta transtornos associados, como:
– Transtornos psicóticos (incluindo psicose induzida por substâncias)
– Transtornos de humor, como depressão e bipolaridade
– Transtornos de ansiedade
– TDAH e transtornos de personalidade 
A especialista destacou que, muitas vezes, não é possível identificar a origem dos quadros:
“Nunca sabemos ao certo o que veio antes — o transtorno ou o uso da substância.”
Esse cenário exige uma abordagem integrada, contínua e multidisciplinar.
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Manejo de crises requer preparo e atuação em rede

Outro ponto de destaque foi o manejo de crises psiquiátricas dentro das comunidades terapêuticas.
Foram apresentadas orientações práticas, como:
– Identificação precoce de sinais (delírios, alucinações, agitação)
– Comunicação calma e não de confronto
– Redução de estímulos no ambiente
– Avaliação de risco para si e para outros
– Encaminhamento para serviços de saúde em casos graves
 
“O manejo de crises deve ser feito em equipe, com alinhamento de condutas e responsabilidade compartilhada.”

Também foi ressaltado que casos de surto psicótico exigem atendimento especializado e não devem ser acolhidos imediatamente em comunidades terapêuticas .
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Rotina e vínculo são pilares da recuperação

A palestra destacou ainda o papel da rotina estruturada como elemento terapêutico fundamental:
“Ambientes organizados e previsíveis ajudam na estabilização e dão segurança ao acolhido.”
Além disso, o acompanhamento pós-crise deve ser marcado por acolhimento, escuta e fortalecimento de vínculos, evitando julgamentos e promovendo confiança .
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Grupos de trabalho consolidam propostas do Fórum

Após a palestra, os participantes foram divididos em grupos de gestores, técnicos e monitores, conforme a metodologia do Fórum .

Entre os principais encaminhamentos:
– Fortalecimento da participação em conselhos de saúde
– Criação de protocolos padronizados
– Ampliação da articulação com CAPS e UBS
– Capacitação contínua das equipes 
O encontro também contou com a aprovação da Carta do Fórum e a tradicional passagem da pasta, garantindo a continuidade histórica do evento .
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Carisma de Bethânia se expressa na acolhida

A programação incluiu ainda a apresentação do Coral de Bethânia, expressão concreta do processo de restauração vivido na comunidade.
Fundada em 1995 pelo padre Léo, a Comunidade Bethânia desenvolve um trabalho baseado na visão integral do ser humano:
“O ser humano precisa ser cuidado em suas dimensões física, psicoafetiva e espiritual.” 
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 Compromisso com a vida e a dignidade humana

Realizado de forma itinerante, o Fórum Catarinense de Comunidades Terapêuticas se consolida como instrumento essencial de articulação, formação e incidência nas políticas públicas do setor .
Ao sediar esta edição, a Comunidade Bethânia reafirma sua missão de acolher, restaurar e devolver dignidade a pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Seguimos unidos na missão de promover a vida e a possibilidade de recomeço.”

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BOX INSTITUCIONAL

Comunidade Bethânia: acolher, restaurar e devolver dignidade
Fundada em 1995 pelo padre Léo, a Comunidade Bethânia é uma associação de caráter assistencial e religioso dedicada ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Seu trabalho é fundamentado em uma visão integral do ser humano, contemplando dimensões física, psicoafetiva e espiritual .


 
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