Quem ama não perde tempo

Notícias - Recanto de São João Batista

15/05/2010

Trecho de palestra realizada no Retiro Famílias Restauradas

Quem ama não perde tempo...

É o que queremos pedir Senhor nesta tarde, sobretudo entre estes casais: a graça de não perder tempo. Porque o amor é agora e tem pressa... Famílias conduzidas pela graça de Deus, a graça que brota do coração deste Deus. O amor tem pressa de reatar laços quebrados, curar as feridas, construir pontes que ligam os corações. O Amor tem pressa de testemunhar que “é dentro de casa que o céu começa.”

Dá-nos a graça, Senhor, de reproduzir céu para aqueles que amamos. Porque se não reproduzirmos céu, iremos reproduzir dor, inferno, desilusão e sofrimento para aqueles que amamos.

Ave Maria.
Nossa Senhora de Bethânia,
ensina-nos a graça do acolhimento!

Abra a sua Bíblia em Gn 3, 1 ss.

A serpente tornou-se o mais astuto dos animais que havia no paraíso.

Palavra do Senhor.

O texto é bem conhecido por nós, e ele nos ajuda à rezar nesta tarde de hoje, à mergulhar nesta tarde de hoje. Não é um tema que nós gostamos muito, nós nos acostumamos a fingir que este tema não exista. A sociedade moderna, assim como afastou Deus da vida do povo, criou ou tentou criar um mundo sem Deus, um mundo onde a presença de Deus seja desnecessária. Um mundo onde pudéssemos viver sem Deus. A maioria das famílias, no mundo moderno, passou a viver um relativismo religioso, uma indiferença religiosa. Portanto, se Deus existe ou não existe não importa. Ele não influi em nada que diz respeito à minha vida.
O convite que fazia à vocês na missa de ontem, para seguirmos os passos da Sagrada Família tinha como intuito justamente isso: reconduzir as famílias para o centro de Deus. Seguindo o exemplo de Maria, quando da perda e reencontro com Jesus no templo, é preciso interiorizar a fé e a vontade de Deus em nossas vidas. Maria não foi buscar orientação nos mestres da época, na cultura e modismo da época. Antes sim, ela interioriza o significado de sua fé, da certeza de que havia uma sacralidade no chamado que Deus lhe fizera, e que o conduziria em meio aos desafios da vida.

Padre Vicente em momento de palestra no retiro Famílias Resturadas

Recentemente escrevi um texto no site de Bethânia, onde relembrava a importância da presença de Maria – no mês de maio, mês das mães -, presença que relembra a importância do sagrado no seio do lar. (Cf. www.bethania.com.br)

Hoje se perdeu o encanto do sagrado na vida em família. Perdeu-se o significado que as coisas simples despertavam no coração e no seio da família. Os valores e significados que a espiritualidade, experimentados na infância, me fazem ter a certeza de que o centro da vida passava pela fé em Deus. Lembro-me, ainda, de que numa das festas de igreja das quais participei em minha infância, numa ato de coroação ao Imaculado Coração de Maria e Sagrado Coração de Jesus, no ato de coroação de pude – mesmo sem dar conta disso – entregar-me todo a Jesus. Ali nascia minha vocação. Hoje sou padre do Coração de Jesus, moro numa comunidade que tem como centro o Coração de Jesus, e vivo a fé nascida na infância. É justamente isso, o encanto do sagrado que se perde no tempo e que tem sido desvalorizado pela mentalidade moderna. São esses valores que fazem a diferença, e que precisam ser resgatados.

Quais os valores que estão sendo apresentados aos nossos filhos? Isso porque, do mesmo modo como se tentou retirar Deus do coração das pessoas, tira-se e perdem-se o sentido, os sinais do sagrado no tempo e na vida de todos nós. Vamos acostumando-nos, por influência da mentalidade moderna à viver longe e distante interiormente de Deus. E, pior ainda, vamos acostumando-nos a dar restos para Deus.

Quando afastamos Deus do meio de nós, vamos perdendo o senso do que pode e do que não pode. Como se Deus fosse meramente um instrumento para medir o certo e o errado. Só vai entender a distinção das coisas da fé, aquele e aquela que fizer a experiência de amor e misericórdia com Deus. Tomar consciência do pecado remete para a importância sobre a presença e lugar que Deus ocupa em nossa vida.

Momento de palestra no retiro Famílias Restauradas

Olha a imagem que a Palavra de Deus nos traz, a primeira briga entre casal surge no paraíso. É no afastamento de Deus que surgem as realidades que torna difícil para nós reconhecer nossas responsabilidades diante dos erros e acertos que realizamos na vida. Desobedecer é isso, romper com a graça de Deus. Por outro lado, obediência não significa simplesmente seguir regras. Antes sim, significa saber ouvir. Saber escutar com retidão aquilo que Deus fala. Discernir no coração entre a voz de Deus e a voz do mal, representado pela figura da serpente.

O primeiro casal humano deixou de ouvir a voz de Deus, para ouvir a voz do mal, a voz do encardido. Qual a primeira constatação de Adão quando Deus o chama: que estava nu.
E qual é a maior das reclamações entre os casais? Intimidade. Antes, Adão e Eva estavam nus, e não havia problema entre eles. Portanto, essa nudez bíblica expressa a INTIMIDADE, a nudez de coração, da alma. Agora, uma vez que o ser humano se afasta de Deus, então se rompe com a intimidade que antes desfrutavam na presença de Deus.

Momento de palestra no retiro Famílias Restauradas

Uma das tentações que a serpente faz ao gênero humano é justamente esse: a mentira que tira a atenção do ser humano de Deus e faz com que o homem volte seu olhar para si mesmo. Hoje, muitas vozes tentam seduzir os casais... Quantas são as vozes que querem desviar sua atenção, fazendo-te desviar o olhar para longe de Deus. As tentações virão no seu ambiente de trabalho, na vida diária, no cotidiano de cada um de vocês. Surgirão inúmeras vozes para seduzir seu coração.

Mesmo sabendo que o filho chegará a comer lavagem de porco, o amor só pode esperar. Quanta mãe, se pudesse, tiraria o filho à unha da situação de drogadição na qual ele se encontra. No entanto, ela não pode... O amor, muitas vezes é espera.
O mundo moderno nos ensina que o que vale é a lei do menor esforço. Não existe vida fácil, a luta de cada dia nos revela que a vida é sacrifício.

Sem a certeza de que somos pecadores, imperfeitos e limitados, todos nós nos tornamos idólatras de nós mesmos. Maturidade é deixar esse egocentrismo e caminhar para o descobrimento do verdadeiro eu. Homens e mulheres egocêntricos que fazem da mulher uma escrava de suas necessidades.

Após esse momento os casais fizeram preparação para o sacramento da confissão

Pe. Vicente,scj

Transcrição e adaptação: Carlos Jacob

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