O pátio interno da residência pontifícia de Castel Gandolfo, onde o Papa Bento XVI passa alguns dias de repouso, ficou pequeno para acolher os inúmeros turistas e peregrinos para o Ângelus deste domingo, 18.
Acolhido com muita festa, o Santo Padre se dirigiu principalmente aos fiéis do hemisfério norte, que se encontram de férias, em pleno verão. "Também as atividades pastorais ficam reduzidas, e eu mesmo suspendi por um período as audiências", disse o Papa, afirmando se tratar, portanto, de um momento favorável para dar o lugar àquilo que efetivamente é mais importante na vida, ou seja, a escuta da Palavra do Senhor.
Isso fica claro na narração do Evangelho deste domingo, no célebre episódio da visita de Jesus à casa de Marta e Maria.
Maria se senta aos pés de Jesus e o ouve, enquanto Marta está muito atarefada com afazeres domésticos, devido certamente ao hóspede excepcional. Depois, Marta, evidentemente ressentida, não resiste mais e protesta, sentindo-se também no direito de criticar Jesus: "Senhor, a ti não importa que minha irmã me deixe assim sozinha a fazer o serviço? Dize-lhe, pois, que me ajude".
Jesus, ao invés, com grande calma, responde: "Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só. Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada" (Lc 10,41-42).
A palavra de Cristo é claríssima, diz o Papa: "Nem desprezo pela vida ativa, nem tampouco pela generosa hospitalidade; mas um chamado nítido ao fato de que a única coisa realmente necessária é outra: ouvir a Palavra do Senhor; e o Senhor, naquele momento, está ali, presente na Pessoa de Jesus! Todo o resto passará e nos será tirado, mas a Palavra de Deus é eterna e dá sentido ao nosso agir cotidiano".
Essa narração, afirma Bento XVI, é muito significativa no período das férias, porque evoca o fato de que a pessoa humana deve sim trabalhar, empenhar-se nas ocupações domésticas e profissionais, mas necessita antes de tudo de Deus, que é luz interior de Amor e de Verdade.
"Sem amor, inclusive as atividades mais importantes perdem valor e não dão alegria. Sem um significado profundo, todo o nosso fazer se reduz a ativismo estéril e desordenado. E quem nos dá o Amor e a Verdade senão Jesus Cristo? Aprendamos, portanto, a ajudar-nos uns aos outros, a colaborar, mas antes disso, a escolher juntos a melhor parte, que é e será o nosso bem maior."
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