Acontece neste final de semana o Retiro de Casais Famílias Restauradas, no Recanto São João Batista. Um encontro reunindo casais de diversos Estados e localidades do país, onde a temática abordada diz respeito à vivência sadia e concreta da vida conjugal, da sacralidade da intimidade conjugal. Tendo início na noite de sexta-feira, 14, e com término no domingo dia 16/05, o encontro conta com a presença e pregação de Pe. Vicente,scj.
Na manhã de hoje, 15, Pe. Vicente chamava aos participantes à meditarem acerca da responsabilidade de viver como Família os sonhos e projetos de Deus: é preciso que as famílias tenham consciência do papel e missão que tem no projeto de Deus.
Confira parte da pregação de Pe. Vicente,scj realizada na manhã de 15/05
Bom dia!
Que a força dessa canção desperte em você o desejo de descobrir verdadeiramente o que é a tua família. Porque, quando esta palavra ressoa em nosso coração ela desperta em nosso interior uma reflexão sobre nossos melhores sonhos. Cada um de nós aqui presentes trás dentre de si os seus melhores planos e sonhos, que são confrontados com a realidade do que vivemos. O convite de Deus para vocês, nesse nosso encontro, é para que possam a luz do que é o projeto de Deus em suas vidas, passar pelo crivo da fé o que vocês tem construído enquanto família. É isso o que devemos rezar.
Antes de trazer a Palavra de Deus, quero deixar um desafio para você esposo e esposa. O Papa João Paulo II deixou um presente para vocês: A Exortação Apostólica Familiaris Consortio. Um documento voltado para a família devido o apreço e importância da família no plano de Deus.
Confira abaixo: Familiaris Consortio p.17.
OS DEVERES DA FAMÍLIA CRISTÃ
Família, torna-te aquilo que és!
17. No plano de Deus Criador e Redentor a família descobre não só a sua «identidade», o que «é», mas também a sua «missão», o que ela pode e deve «fazer». As tarefas, que a família é chamada por Deus a desenvolver na história, brotam do seu próprio ser e representam o seu desenvolvimento dinâmico e existencial. Cada família descobre e encontra em si mesma o apelo inextinguível, que ao mesmo tempo define a sua dignidade e a sua responsabilidade: família, «torna-te aquilo que és»!
Voltar ao «princípio» do gesto criativo de Deus é então uma necessidade para a família, se se quiser conhecer e realizar segundo a verdade interior não só do seu ser mas também do seu agir histórico. E porque, segundo o plano de Deus, é constituída qual «íntima comunidade de vida e de amor»(44), a família tem a missão de se tornar cada vez mais aquilo que é, ou seja, comunidade de vida e de amor, numa tensão que, como para cada realidade criada e redimida, encontrará a plenitude no Reino de Deus. E numa perspectiva que atinge as próprias raízes da realidade, deve dizer-se que a essência e os deveres da família são, em última análise, definidos pelo amor. Por isto é-lhe confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação real do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja, sua esposa.
Cada dever particular da família é a expressão e a actuação concreta de tal missão fundamental. É necessário, portanto, penetrar mais profundamente na riqueza singular da missão da família e sondar os seus conteúdos numerosos e unitários.
Em tal sentido, partindo do amor e em permanente referência a ele, o recente Sínodo pôs em evidência quatro deveres gerais da família:
1) a formação de uma comunidade de pessoas;
2) o serviço à vida;
3) a participação no desenvolvimento da sociedade;
4) a participação na vida e na missão da Igreja.
Desta forma, é dever de todo cristão ter firme consciência e propósito diante do chamado de Deus: “Família, torna-te o que tu és. Torna-te aquilo que és”, enquanto família. Ao constituir família você é, diante de Deus, comunidade de amor, sacramento de amor. Assim, esposo e esposa recebem de Deus a graça para realizar no mundo aquilo para o qual foram chamados.
No entanto, a dizer: “torna-te o que tu és”, o Papa Jaó Paulo II chama a atenção para o fato de que há algo que impede as famílias de ser aquilo que são. Há outros modelos (propostas) de família, e a maioria deles não condiz com aquilo que você é. Não condiz com aquilo que somos chamados a ser... E, por não termos consciência do que somos chamados a ser, vamos deixando esses modelos entrar em nosso meio. Pois, quando se “mexe” na e com a família, então se destrói tudo, a base da vida segundo Deus. Portanto, “família, torna-te o que tu és.”
Desta forma, quero chamar vocês a um desafio: Lá, no Recanto Biguá, vocês irão se deparar com o sonho de família almejado pelo Pe. Léo,scj. Ali está registrado, para cada família que passa por Bethânia, a ideia de que para ser feliz como família precisa-se de muito pouco. O desafio é esse, você esposo vai escrever uma carta para sua esposa, e você esposa vai escrever uma carta para o seu esposo falando do seu sonho de família, falando dos seus ideais. Ao longo do retiro você irá construindo essa carta.
Seus sonhos são frutos da família na qual você viveu, dos ideais que você trás em seu coração, e eles estão aí, dentro do seu coração. Tenho vivido a graça de estar próximo da família, e principalmente em Bethânia. Tenho percebido que muitas famílias não tem vivido a graça da intimidade. Grave esta palavra, pois intimidade não quer dizer da sensualidade, da nudez do corpo, de uma mera relação sexual. Antes sim, quer dizer da graça da intimidade da alma, o desnudar a alma diante do outro. Intimidade e Rotina. Sem intimidade a rotina vai matando a alma e o amor. Da mesma forma, a rotina precisa de seu ritual, de sua maneira de tornar sagrado o presente momento da vida.
Lembrando-me de quando era criança, eu me recordo de quando meu pai chegava em casa. Ele tinha um jeito próprio de tocar a campainha. Era um sinal, um ritual que marcava sua presença em nosso meio. Mesmo que aquela forma de tocar a campainha irritasse a mãe, e irritava. Ele tocava só para irritar, mas tornava sagrado o momento de sua presença no meio de nós. Era um sinal que tocava no nosso coração e revelava o sagrado do lar em sua humanidade cansada da jornada de trabalho.
Portanto, vá construindo sua carta, falando de sua alma desnudada, exposta para aquele (a) que você ama. Em Bethânia, cartas são sacramentais, são mistérios, falam de Deus, da alma. Evitamos outras formas de comunicação para incentivar nossos filhos a escreverem para seus familiares... Quando escrevo uma carta, mexo com todos os meus sentidos... Faço uma síntese de todos os sentimentos existentes na alma em relação à pessoa amada. A carta se faz portadora de uma mensagem da alma.
A rapidez do mundo moderno tem matado os sentimentos da alma... Já dizia Fernando Pessoa: “todas as cartas de amor são ridículas”, mas conclui no final dizendo que: “realmente ridículas são aquelas pessoas que nunca escreveram uma carta de amor. Porque nunca escreveram uma carta de amor, não deixaram vir a tona a alma.
Quem sabe se escrevendo esta carta você não tome consciência de que tem negligenciado os sonhos de família que traz no coração.
Abra sua Bíblia em Efésios 6, 1 – 4. “Filhos, obedecei a vossos pais, no Senhor, pois isto é de justiça. “Honram teu pai e tua mãe” – este é o primeiro mandamento que vem acompanhado de uma promessa – “a fim de que sejas feliz e tenhas longa vida sobre a terra”. E vós, pais, não provoqueis revolta nos vossos filhos; antes, educai-os com uma pedagogia inspirada no Senhor.”
Palavra do Senhor.
Aproveite agora, e corre lá para o Antigo Testamento. Dê um salto aí, e volta uns 180 anos antes de Cristo, Eclo 3, 3 – 14. “Deus honra os pais nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra seu pai intercederá pelos pecados, evitará cair neles e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita sua mãe é como alguém que junta tesouros. Quem honra seu pai terá alegria em seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem honra seu pai terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da mãe. Quem teme o Senhor honra seus pais e como a senhores servirá aos que o geraram. Com obras e com palavras honra teu pai, para que dele venha sobre ti a benção. A benção do pai consolida a casa dos filhos, mas a maldição da mãe destrói até os alicerces. Não te glories da injúria sofrida por seu pai, pois não é glória para ti a sua afronta. A glória de cada um vem da honra de seu pai, e é uma desonra para os filhos a mãe desprezada. Filho ampara a velhice de teu pai, e não lhe causes desgosto enquanto vive.”
Vejam, tanto a carta aos Efésios, quanto esse trecho do Eclesiástico retoma um mandamento da lei de Deus: Honra teu Pai e tua mãe.
Quero fazer uma ligação muito sutil, entre aquilo que João Paulo II nos fala na FC 17 e esses trechos lidos. Se na FC 17, o Papa João Paulo II nos chama – enquanto família – para nos tornarmos aquilo que somos, então, ele nos chama a atenção para a sacralidade da família. E, nenhum casal cristão vai retomar a benção sobre sua família, se não retomar o valor da sacralidade da família. Por isso, a palavra de Deus une a importância de honrar pai e mãe com uma promessa de Deus: honra teu pai e tua mãe para que tenhas vida longa sobre a terra. Isso porque a família é santa por vontade de Deus. Nós, aos poucos, fomos nos deixando contaminar por uma ideia que foi desconfigurando a importância da família e sua sacralidade. Pe. Leo,scj gostava de chamar a atenção para o fato de que o verbo “honrar”, na tradição bíblica, era utilizado unicamente para Deus. Honrar significa prestar culto, adoração, estar ligado, e, a única exceção é no 4º mandamento. A bíblia transfere para o pai e para a mãe o reconhecimento de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, e, por isso o dever de honrar, visto que as famílias reproduzem Deus na vivência do matrimônio. Quando o Pe. Leo,scj começou a pregar isso, dizendo que os casais reproduzem Deus, houve muita polêmica. Ele recebeu inúmeras cartas de pessoas da Igreja chamando-lhe a atenção para esse fato. Isso em vista da dificuldade que temos de entender isso. Não só na relação sexual, mas em toda a vivência afetiva a família – pelo caráter unitivo da sacralidade da união conjugal – é chamada á reproduzir Deus.
É preciso que haja a purificação de nossos afetos. Por isso, na libertação do povo hebreu, o povo teve de andar um longo caminho para a purificação de suas vontades e desejos. É necessária a purificação de nossos afetos, caso contrário, não poderemos seguir aquilo que o Papa João Paulo II nos pede: “Família torna-te quem tu és.” Por isso, a família é tão perseguida e atacada. Por isso o inimigo lança tantas propostas contra a família, tentando destruí-la. A forma mais próxima da relação que há entre a Santíssima Trindade, a pericorese, esse relacionamento que vai gerando vida, o que há de mais próximo a esse relacionamento está na vivência sagrada do matrimônio, na vida familiar e conjugal.
Quantos trocariam tudo, e aqui em Bethânia nossos filhos e filhas são testemunhas disso, trocariam tudo para terem a oportunidade de viver uma experiência com esse amor que vem de Deus. Não há família perfeita, mas é possível vivermos como famílias restauradas.
Em situações de conflitos e limites na vivência familiar, nas situações de tensão não se deve buscar culpados. Não há famílias perfeitas, mas o que nos ajuda e deve auxiliar é a retidão e o desejo de estar a caminho da vontade de Deus. É preciso que haja uma aposta no bem. Por isso, eu gosto tanto desse contexto Eclo 3, 3-14. Ali, todos viviam as influências da mudança social, cultural, e, por meio da cultura surgiam novas modalidades de pensamento e hábitos... Diante das mudanças sociais, o questionamento do povo de Deus era: “Como nos manteremos puros no seguimento de Deus diante de tantas mudanças e influências novas? Como não nos perdermos? E a resposta surgiu a partir da FAMÍLIA. Perceberam que era necessário fortalecer as famílias, por isso: “Filhos, ouçam seus pais.” Pressupunham que os pais, por terem assimilado valores coerentes com a fé, poderiam educar e fortalecer a vida da família.
Hoje, pelo fato de pais e mães não terem força na fé, não estarem atentos à educação dos filhos. Há muitas vozes que estão por aí, para atingir seus filhos, uma vez que a voz dos pais não em influencia sobre a vida dos filhos.
Quem tem educados os filhos de vocês? Quais os programas de TV que tem ensinado sobre os valores de vida para os filhos de vocês? Por isso, “Família, torna-te o que tu és.”
Ataques à família, ataques que vem de todos os lados... As influências que incidem sobre a vida dos casais, e, que eles não se dão conta. Um exemplo disso é a cultura do consumismo, que faz cada um de nós pensarmos que só somos alguém quando temos alguma coisa, um status social. Diante disso a preocupação é só o ter, o poder, e o prazer. De tal forma, que não se tem tempo para estarem juntos, para viverem como família, para “perder” tempo com quem se ama. A mentalidade consumista que incita a ter cada vez mais, sem medidas.
Atualmente, quantos são os especialistas que usam os meios de comunicação para falar a respeito da “não-possibilidade” da uma vida estável matrimonialmente. Dizendo que não há sentido viver os valores da família. Hoje há muitos escritos falando sobe as possibilidades da vida após o divórcio, da separação e degradação da família. Mas, bem poucos os que tem espaço para falar sobre a sacralidade e importância da família. Não se trata de entrarmos numa guerra santa, defendendo bandeiras... Mas trata-se da consciência que devemos ter, e, que você deve ter de que é chamado a ser o que é: Família. “Nenhuma realização profissional vale a destruição e a perda da família. Nenhum sucesso vale o fracasso de nossa casa”. Há esposos que vêem a ruína de sua casa e não tomam providência. Por isso, a graça da intimidade, da partilha, da escuta, do diálogo. Não há vida humana sem frustração... Todo relacionamento humano passa por crises e frustrações. É nesse momento que entram tantos ataques contra a família: a pornografia, o adultério, a indiferença, a insatisfação... E aquilo que deveria se tornar fonte de cura, libertação e amor, o encontro íntimo entre o casal, que de veria ser o ponto mais significativo e alto dessa união se torna um problema. Onde você está? É preciso que você confronte hoje o jeito de ser da sua casa com aquilo que Deus te chama a viver. Entre aquilo que você vive e o sonho de Deus para você, e reconhecer, saber o que – hoje – tem atingido a sua família. Quais são hoje as grandes preocupações do seu matrimônio? Os grandes questionamentos?
É preciso assumir com compromisso e responsabilidade a restauração de nossas famílias. É preciso olhar, juntos, numa mesma direção. Por isso, “Família, torna-te aquilo que tu és”.
Segundo uma pesquisa norte-americana a maioria dos casais, estavelmente estabelecidos, são os mais felizes e realizados na vida. Entre eles, há menor índice de cansaço físico, mental, doenças coronárias, stress, falta de dinheiro (economia equilibrada). Essa é a confirmação de algo que as Sagradas Escrituras já dizem há anos.
Não há nada melhor do que ter um lar. Ter para onde voltar, sabendo que há ali, alguém que cuida de nós, que no quer bem. Isso passa pelo crivo da vocação, é acertar na vocação, naquilo para o qual se é chamado a viver aos olhos de Deus.
Quantas mulheres reclamam de seus esposos dizendo que eles, quando estão com outras pessoas são uma coisa, mas quando estão em casa são diferentes, Pensando nisso, cheguei à conclusão de que a máscara é aquela que os indivíduos assumem fora de casa. A verdade do que são é aquilo que vivem dentro de suas casas, e isso significa que devem trabalhar e modelarem-se para ser aquilo que são chamados a ser na vocação à qual abraçaram. É preciso ter consciência de que há muito por fazer. Você ainda não é o esposo, a esposa, o pai, a mãe que Deus te chamou a ser. Há um caminho que ser realizado, com tranqüilidade, durante o percurso que realizamos na vida. O esposo precisa tocar em Deus através da vida, do corpo, da união sagrada com sua esposa. A esposa precisa tocar a Deus na relação, na vivência plena e sagrada com o esposo.
Nesse sentido, a máscara é aquilo que assumimos fora do lar, porque o natural do ser humano é “voltar para casa”. É ali, na casa, no lar, que a pessoa pode tirar as máscaras, e deixar vir à tona aquilo que se é. Suas dores, sofrimentos, angústias, insatisfação... Todas as questões que precisam ser trabalhadas interiormente. Nisto se revela a importância de desnudar a alma.
Ao contrário da sacralidade do desnudar a alma, o mundo ensina que se deve buscar em primeiro lugar a satisfação pessoal. É o “eu” que deve prevalecer sobre a vida conjugal. O mundo ensina que valemos por aquilo que temos e não por aquilo que somos. Esse é o grande desafio, valorizar aquilo que somos. Por isso, “Família, torna-te o que tu és.”
É preciso que as famílias reconheçam com clareza, quais são as grandes ameaças para a família no dia de hoje. E, é isso que vocês irão fazer agora. Esposo e esposa, como casal, família, sairão daqui agora para responder a seguinte pergunta: Quais são as grandes ameaças à nossa família hoje, que impedem de sermos aquilo que Deus nos chama a viver?
Transcrição e adaptação: Carlos Jacob
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(48) 3265-4415Lorena
(12) 3157-8317Guarapuava
(42) 3622-7457Curitiba
(41) 3378-5763Castro
(42) 3232-7098