Quando julgamos, não estamos conosco mesmos, mas com o outro. Por meio do julgamento que fazemos dos outros, desviamo-nos de nós mesmos. Isso porque nos colocamos como medida para as ações alheias.
Todavia, não se pode ignorar a máxima evangélica: “... com a mesma medida com julgares, vós também sereis julgados.” O fato é que, levados pelo agito e ativismo de nossos dias, acabamos nos acostumando a viver da exterioridade. Acabamos nos acostumando a viver a partir do olhar de quem nos observa e, inevitavelmente, passamos a reproduzir em nossas ações aquilo que condenamos, nos outros, quando suas ações nos atingem.
De fato, o cristianismo é uma necessidade para a vida de cada ser humano, desde que levado a sério até às últimas consequências , as últimas exigências. Isto pelo fato de remeter-nos para o centro de uma ação que desinstala nossas convicções: "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo."
Nem sempre na vida o inferno são os outros, mas aquilo que escolhemos e assimilamos como valor em nosso modo de ser e agir no mundo, passando a reproduzir o mal que nos afeta por aquilo que vivemos. Deus não espera de nós o impossível... Antes sim, espera que - fazendo a experiência com o seu amor - possamos testemunhar a existência de algo maior e superior àquilo que passa, que ofusca o seu lugar em nossas vidas.
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