Somos filhos de Deus

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09/01/2012
Pe. Léo, Scj
A única coisa fácil, porque o caminho é largo e espaçoso, e porque o encardido tem pouco tempo, então ele vai puxando você. Se você quer ser uma folha que o vento leva, cai na água e vai para onde o vento e a água leva, isso é fácil, ir para o inferno é m

Imitai a Deus, visto que sois filhos que ele ama. Não que ele amou ou que ele amará, que ele ama, é no presente. Aqui está o segredo. Sabe por que não imitamos a Deus? Porque falta-nos essa experiência de que eu sou filho e filha de Deus, de fato. Ser filho por direito é uma coisa, ser filho de fato é outra, e outra coisa ainda, é ser filho de direito e de fato. Por exemplo, você é filho de direito, você sabe quem é seu pai, quem é sua mãe, mais rompeu com eles.
Como o filho pródigo, chegou para o pai e falou: “Dá minha parte da herança, eu vou embora”. Ele sabia que ele era filho de direito, sabia que era filho de fato, mas não vivia. Alguns sabem que são filhos de fato, na verdade eu sou filho do fulano, mais não sou de direito porque não foi reconhecido pela lei, no meu registro de nascimento o nome do pai está em branco, não sou filho por direito, não tenho direito a herança. Você já viu, principalmente filho de artista, o quanto que luta para ser reconhecido como filho? Tem filho do Silvio Santos lutando para ser reconhecido como filho, lutando pela herança, porque quer pegar o Baú. Quase todos os artistas, jogadores de futebol, cantor de pagode e roqueiro, dá um lucro danado ter um filho com eles, pois ganham dez mil dólares por mês. Não tem programas de televisão que são especializados em fazer DNA? “Vamos fazer mais um exame de DNA, pois eu posso ser filho do fulano, de fato, você pode ser filho dele, mais não é de direito, porque não foi reconhecido.
O que o Batismo nos torna? Filhos de Deus de direito, porque de fato nós já somos. Se você olhar para o ser humano, dá de fazer um DNA, em cada coisa do ser humano, desde a unha do pé até o fio de cabelo. DNA = Deus nosso autor. Nós nascemos filhos e filhas de Deus, pelo Batismo nos tornamos filhos e filhas de Deus por direito. Mais sabe o que é triste? Vivemos feito o filho pródigo, não tomamos posse da herança, ainda temos aquela idéia de um Deus distante, de um Deus longe. Esse é um dos segredos para imitar a Deus. Imitai a Deus, visto que sois filhos e filhas que ele ama. São duas experiências, e a primeira é que nós somos filhos e filhas de Deus, e tem um detalhe, sem o Espírito Santo ninguém tem essa experiência.
É o Espírito que nos clama: “ABA, papai”.
Observe nos sete pedidos do Pai nosso, não tem o pedido do Espírito Santo. Jesus mandou pedir tudo, por que não manda pedir o Espírito Santo no Pai nosso? Porque só pelo Espírito que conseguimos rezar o pai nosso, só pelo Espírito que nós podemos clamar ABA. Nós recebemos o Espírito de filiação: “Eu sou filho de Deus”. Sabe de quem eu sou filho?
Um homem chegou ao aeroporto, tinha uma fila medonha, furou a fila, e chegou lá na frente e falou:
- Ô mocinha...
- O senhor faz favor de entrar na fila.
- Mas...
- O senhor faz o favor de entrar na fila.
- A senhora sabe de quem que eu sou filho?
Ela pegou o microfone e falou:
-Se alguém conhece este homem aqui na frente, por favor, venham até aqui na frente porque ele não está sabendo nem de quem ele é filho.
-Eu vou processar a Senhora.
-Mas primeiro entra na fila.
Você tem direito, sabe de quem você é filho? Nós perdemos isso, e acho que essa é a maior tristeza de Deus, e a maior vitória que o encardido consegue sobre o ser humano. Digo a você que não é nem um pecado que cometemos, porque pecado não é problema para Deus. A maior vitória do encardido é fazer com que percamos a paciência de quem nós somos. Não foi isso que os nazistas tentaram fazer? Fazer com que a pessoa perca a paciência de quem ela é, uma pessoa doente mental, não sabe quem ela é, não tem a sua identidade. Você perder a identidade, você é um número a mais. E essa talvez seja a maior vitória do encardido, porque não sabendo quem eu sou eu me vendo por qualquer preço. Porque quem não sabe seu valor, se vende barato. “Eu não sei quem eu sou, eu sou um pobre coitado, porque eu sou muito fraco”. É isso que o encardido quer, ele trabalha um princípio de menos valia.
Se você não se valoriza, olha o tratamento que o encardido vai fazendo. Você não se valoriza, não valoriza o seu corpo, diz que o seu valor está na roupa que você veste, valoriza a roupa e não valoriza o corpo. Eu não me valorizo como obra prima de Deus, mais não só como uma obra, o mundo moderno até tem isso, uma ecologia. Existe fundações no mundo, por exemplo as revistas, estão fazendo um grande trabalho de defesa da ararinha azul. Poucas pessoas gostam mais de animal do que eu, eu amo animais, eu converso com eles, eu brinco com eles, amo os bichos. Mais não existe nada na natureza que se compare ao se humano.
O universo inteiro foi feito como presente, como preparação de Deus, para a obra de todas as obras, o ser humano obra prima das mãos de Deus. Por quê? Porque em Cristo se torna filho e filha de Deus. Mas nós não tomamos posse, você tem o registro de nascimento no seu bolso, que no caso é o coração, que lhe dá o direito de ter a vida eterna. Você fica imitando os outros, remendando os outros, imitando o mundo. Por quê? Porque não sabe quem você é. E você não é um filho qualquer, é um filho amado, do jeito que você é, com seus erros, com suas fraquezas.
Nessa carta aos Efésios, que entendemos a grandeza que o ser humano é chamado a ser. Na tradução da Ave Maria, que eu falava: Imitai, pois... E esse pois é muito importante, porque é como se São Paulo dissesse o seguinte: Os quatro primeiros capítulos da carta fundamentam aquilo que eu preciso ser, baseado nisso, cada um precisa tornar-se imitador de Deus. Então o que significa imitar a Deus? Significa tomar posse da herança de ser filho e filha de Deus.
São Paulo durante sua carta, tem alguns pontos que nos chamam muito a atenção, muito prático, muito concreto. Como ser filho de Deus? O que Deus pensou quando criou o ser humano? Deus pensou coisas imensas e ele diz aqui, por exemplo, no versículo quatro do capítulo um: “Bendito seja Deus, o pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda benção Espiritual em Cristo.”
Observe quantas vezes aparece no superlativo, para significar obra grande, ele nos abençoou em Cristo com toda a benção espiritual. De Deus eu só posso experimentar toda a benção. Aliás, no versículo dois ele já falava: a vós da parte de Deus, graça e paz. De Deus eu só posso esperar duas coisas: graça e paz.
A doença vem de Deus? Não, aqui diz que não. Aqui diz que de Deus vem toda a benção, toda, não só um pouco. Mas se você não toma consciência que é filho e filha de Deus, você pede coisa pouca de Deus, por isso que Deus não realiza. Deus não atende oração de quem pede coisa pequena. Deus quer dar tudo. Versículo quatro: e nos escolheu nele antes da criação do mundo. Então, esse universo todo que está aí, isso é depois de Deus ter pensado em você, em mim. Para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos, e não diante dos olhos do mundo. Diante de seus olhos, significa imitar a Deus cada segundo da minha vida, porque Deus está me olhando o tempo todo.
No versículo cinco diz: No seu amor, sois filhos amados, nos predestinou. “Padre, você acredita em destino?” “Eu acredito porque está escrito aqui. O meu destino é ser grande, é ser santo, é ser irrepreensível, porque eu sou filho amado de Deus”. Eu sou uma filha que Deus ama, e ama com amor infinito, ele me predestinou para ser adotado como filho dele, como filha dele por Jesus Cristo.
No versículo seis: Para que Deus nos chamou a sermos seus filhos? Para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça que nos foi concedida por ele no bem amado. Viver é fazer resplandecer em nós a maravilhosa graça de Deus, do mesmo jeito que produzimos as feições do homem terreno, é preciso reproduzir as feições do homem espiritual, as feições de Cristo em nós. Segundo Col 3,12, o homem novo que vai se restaurando constantemente em nós. Por nosso rosto, pela nossa palavra, pelas nossas atitudes, reproduzimos aquele que nós imitamos. É preciso fazer resplandecer a sua maravilhosa graça. Versículo onze: Fomos escolhidos para servirmos a celebração da sua glória.
Para que você foi criado? “Eu não pedi para nascer padre”. É claro que você não pediu, você não existia, quem não é alguma coisa vai pedir o quê? Você foi chamado a ser grande por graça de Deus.
Segundo a IICor 4, 6, “Fomos chamados para fazer resplandecer em nós a luz de Deus, a grandeza de Deus.” Versículo sete: “Esse tesouro nós temos em vasos de barro.” Pra nós percebemos que é a graça dele que se realiza em nós e através de nós, fomos chamados a celebração da sua glória. Versículo dezessete: “Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o pai da glória, que ele nos dê um Espírito de sabedoria e vos revele o conhecimento dele, que ilumine os olhos do vosso coração para que compreendais a que esperança fostes chamados quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos Santos, em qual a suprema grandeza de seu poder para conosco.”
Deus não nos chama para coisas pequenas, mais nós vivemos como se fossemos gente de segunda, de terceira, de quarta, como se fosse gentinha. O encardido quer nos acostumar a pensar que somos pequenos. O que o governo faz com o povo? Não dá educação, cultura. Porque é mais fácil manipular, pois a pessoa ignorante não sabe os direitos que tem. Hoje tem até o código de defesa do consumidor: “Eu exijo meus direitos, porque eu tenho direito à voz, eu tenho direito a isso e aquilo”. A bíblia diz que você tem direito a ganhar a herança eterna do pai, você foi chamado para uma coisa muito grande. Não se apequene, porque quem gosta de reduzir as coisas é o encardido, e é por isso que ele trata o pecado tudo no diminutivo. Um cigarrinho, uma cervejinha, um tapinha, a camisinha, uma escapadinha. O encardido que reduz. Deus não, Deus exagera. Por que você está vivendo essa vida sem sentido?
“Padre, eu ando tão desanimado com a minha vida, não sei por que as coisas não dão certo na minha vida”. Eu sei. As coisas não dão certo na sua vida porque você se acostumou com a vida muito fajuta, porque você está se acostumando com coisa pequena, porque você está atrás de uma vida fácil, e a única coisa fácil que existe na vida é ir para o inferno. A única coisa fácil, porque o caminho é largo e espaçoso, e porque o encardido tem pouco tempo, então ele vai puxando você. Se você quer ser uma folha que o vento leva, cai na água e vai para onde o vento e a água leva, isso é fácil, ir para o inferno é muito fácil.
Para as coisas de Deus não. Nós colhemos o que nós semeamos. Se eu semeio pouco, se vivo ridículo nas coisas de Deus, se para Deus eu dou o resto da minha vida, eu não tomei posse da herança ainda.
É como aquela família que vivia mal, sempre brigando, reclamando dos filhos, do marido. “Porque nossa vizinha foi viajar, eles conhecem outros lugares, nós não conhecemos lugar nenhum. Meu maior sonho é fazer uma viajem de navio, conhecer o mundo”. E começava a cobrar do marido, dos filhos. Então ela falou para o marido:
- Você viu na televisão? Uma viagem de navio que percorre o mundo inteiro.
O homem falou:
_ Vou ter que dar um jeito.
Pensou um monte, foi na agência de viagem, voltou e falou para a família:
- Eles nos fizeram uma proposta. A viagem é boa, dois meses e meio, uma volta ao mundo de navio, sai aqui do porto de Santos, percorre a costa brasileira toda, parando no Rio de Janeiro, Salvador, litoral do nordeste, cruza o oceano, pega o final da África, entra por dentro da Europa e termina a viagem de volta ao Brasil. De navio, parando nos principais portos do mundo. O que vocês acham?
- Meu pai, que delícia.
- Só que tem uma coisa, para conseguirmos a passagem de primeira classe, nós vamos ter que economizar durante a viagem. Levar sanduíche para comer, porque eu não vou ter como estar comprando comida.
- Não tem problema pai, é coisa melhor que tem é comer sanduíche, nós queremos é conhecer o mundo.
- Então eu posso comprar?
- Pode.
Foi lá e comprou cinco bilhetes. Ele, a mulher e as crianças, primeira classe. Entraram naquele navio mais bonito que o Titanic, aquele povo muito chique, e a cabine deles era a coisa mais linda, mas como eles não tinham dinheiro para comprar comida, a mulher fez os sanduíches de pão com queijo. Arrumou uma porção grande de sanduíches, onde todo mundo pensava que era as roupas deles, aquele baú grande, e lá tinha só pão com queijo. Levaram roupa chique, para manter a aparência. Carregaram aquele carrinho de pão com queijo, colocaram lá na suíte e foram passear no navio. Quando deu a hora da janta, o pessoal foi para os restaurantes, porque no navio tinha três ou quatro restaurantes, eles estavam conversando: “vamos para o restaurante”. “não hoje não vamos comer nada não, aquelas coisinhas lá”, porque eles não iriam contar para os outros que eles não tinham dinheiro para comer no navio. Esnobe é assim, come mortadela mais fala que comeu presunto. Coisa gostosa, família reunida, a mãe foi lá e abriu o isopor, tirou tudo embrulhado do papel, porque já veio completo. O papel para limpar a boca, e o palito colocado ali no meio.
_ Mãe, que coisa mais linda, o navio é enorme, nem conheci tudo, amanhã quero conhecer tudo, a piscina, que delícia, esse sanduíche é muito bom, esse pão é uma delícia, fresquinho, saboroso.
No outro dia, levantaram de manhã e comeram pão com queijo. Passearam, navio no mar, chegou a hora do almoço, todo mundo para os restaurantes e eles foram para a cabine, para comer pão com queijo.
-Mãe o navio é muito lindo, a piscina é grande, é tudo maravilhoso.
-Quer mais um sanduíche filho?
-Não mãe, eu vou ficar só com um mesmo.
-Mas você gosta de comer tanto.
-Não, mas vou ficar só com esse mesmo.
Chegou de tarde na hora do jantar, pão com queijo. Segundo dia da viagem, que dura dois meses e meio, levantaram de manhã, tomaram café da manhã e pão com queijo. Almoço é queijo com pão, a janta é pão com queijo. Segundo, terceiro dia, o pão já vai endurecendo um pouquinho, o queijo vai amarelando, e o cheiro do queijo é uma coisa muito característica. Aquele quarto já estava com perfume de queijo, o navio vai andando no mar e vai balançando. Eles iam tomar banho e diziam: “Eu estou com cheiro de queijo, eu não posso mais nem ver pão com queijo na minha frente”.
Quinto dia da viagem, café da manhã, quando abriram o isopor, veio aquele bafo de pão com queijo. Ali começaram as brigas.
-Mais também, o pai não arruma dinheiro, onde já se viu fazer uma viagem dessas.
-Mas vocês que quiseram.
-Mas nós pensávamos que era um dia ou dois para comer pão com queijo.

Quando o navio andava, eles pediam a Deus pra ele parar, porque aquilo ia balançando, o suor tinha cheiro de pão com queijo, o olho já tava amarelado, o perfume era perfume de pão com queijo, eles não conseguiam mais dormir. As pessoas queriam conhecer a cabine deles, eles diziam: “deixa para outra hora”.
-Mãe do céu, o cheiro já está saindo, está tudo cheirando pão com queijo, estou morrendo de vergonha, está dando na cara já mãe, as pessoas nos convidam para jantar e nós nunca vamos. O que eu vou inventar? Eu já menti que fomos no restaurante lá de cima, que fomos no de baixo, quando convidam para ir no de baixo digo que vamos no de cima, e chega aqui dentro tenho que comer pão com queijo, eu não consigo mais ver pão com queijo. O senhor pai, o senhor tem cara de pão com queijo.
-Eu que tenho? Você é que tem. Vocês ficaram me atazanando para comprar os bilhetes, eu fiz um sacrifício, eu economizei, eu avisei, não avisei?
O marido e a mulher começaram a brigar, chamar um ao outro de incompetente.
Quando tocava o apito do navio que era hora de almoçar, na hora o pão com queijo. O queijo já estava até azulado e o pão tava pegando uma cor azulada, vai juntando um creme, um bolor, aquele cheiro medonho. Quando o navio parava nos portos para conhecer as cidades, todo mundo ia conhecer as cidades, menos eles, era a hora que eles aproveitavam para dormir, porque pelo menos o navio tava parada, porque o navio balançando o pão de queijo vai para um lado, para o outro, e aquilo vai embrulhando. Suava pão com queijo, nos olhos parecia que tinha pão com queijo, ficava o dia inteiro que tinha pão com queijo.
No décimo segundo dia da viagem, café da manhã, pão com queijo. Almoço, pão com queijo. Jantar, queijo com pão. Aquele pão estragado, mas vinha a fome, e o cheiro de comida que vinha do restaurante, pareciam aqueles cachorros olhando aquelas vitrines, que tem aquelas galinhas rolando e o cachorro olhando. Eles passavam na frente do restaurante, e pensavam porque não tinham ficado em casa.
Aquela viagem, que era o sonho da vida, foi se tornando um inferno. Briga, acusações, marido não falava com a mulher, os pais não falavam mais com os filhos, os filhos não olhavam para o outro. O povo todo:
-Que lindo, já estamos chegando na Europa, Suíça, Itália, vamos comer queijo com vinho.
-Não me fala em queijo pelo amor de Deus!
-Olhem a lua que linda.
-Lua não, a lua me lembra um queijo.
Tudo lembrava queijo.
Dois meses de viagem. De manhã pão com queijo, almoço pão com queijo, jantar pão com queijo. Aquele queijo amarelado com azul, aquilo parecia um arco-íris enrolado em um papel.
Eles não aturavam mais. Brigas e mais brigas.
O marido mão agüentava mais, e pediu a Deus para dar uma luz para ele. Ele então pensou.
-Vou no banco do navio, vou fazer um empréstimo, e quero levar essa família de sem vergonha, de mal agradecidos no melhor restaurante deste navio. Vou esfregar na cara deles, quero fazer eles se empanturrarem.
Ele ficou sabendo que naquela noite iria ter um jantar solene no navio e o restaurante da primeira classe, o mais chique do navio. Ia ter camarão, frango, de tudo. Então o marido foi no banco, fez o empréstimo, chegou no quarto à tarde.
-Vem.
-Vem o que pai? Eu não posso nem olhar para o Senhor, esse gosto de pão com queijo.
-É? Sabe o que eu tenho no bolso?
-Deve ser pão com queijo.
-Dinheiro. Dólar.
-Deus seja louvado!
-Vocês tomem um banho, porque hoje nós vamos jantar no principal restaurante do navio.
Pobre quando pode lambuza. Que alegria, eles tomaram banho, se arrumaram, eles não viam a hora de chegar, eles estavam inconformados. Quando eles foram entrar na porta, o chefe falou:
-Não os conheço.
-Nós estávamos viajando.
-Desculpe, mas só pode jantar neste restaurante a pessoa que tiver o bilhete de primeira classe.
-Mas nós temos.
-Então, por favor. O senhor sabe que quem compra o bilhete de primeira classe ganha uma cortesia com café, almoço e jantar todos os dias no restaurante 5 estrelas. Por favor, entrem, nós estávamos notando que sempre faltavam cinco que não vinham comer. Todos os dias nós preparávamos o café, almoço e janta.
-Um olhou para o outro, nós temos direito?
-Sim, está escrito atrás do bilhete, leia, por favor. A mesa de vocês é aquela lá, ficou vazia a viagem toda.
Eles se olharam.
- Por que você não leu?
-Mas foi você que comprou o bilhete.
Pelo batismo, você recebeu um bilhete para fazer a viagem da vida na primeira classe. Jesus deu a você pelo sangue dele na cruz a graça de fazer a viagem da vida em primeira classe. Comendo excelentes manjares aqui e no reino. Mais por que você está imitando o encardido e não aprendeu a imitar a Deus ainda? Por que não tomou posse dessa herança? Eu sou filho e filha de Deus. E está vivendo no pão com queijo que o encardido prepara todos os dias. Por isso, vem reclamações, tristezas, brigas, angústia, droga, depressão e tantas outras coisas que vão fazendo a viagem da vida ser uma viagem ruim, uma viagem cansativa, e por isso não vê a beleza que é a vida. Só sabe reclamar, e imita o encardido em tudo.
Tome posso do direito que Jesus lhe deu, e o batismo é este bilhete. Eu sou filho de Deus, eu sou filha amada, eu fui chamado a fazer a viagem da vida na primeira classe, e talvez esteja lá no final.
Somos todos chamados a tomar posse. Como está sua vida?
“Padre, se eu fosse para contar para o Senhor o tanto que eu sofro, minha vida dava um livro”. Tem pessoas que receberam o dom de serem chatos. Será que você não está se tornando esta pessoa desagradável, aonde você chega, as pessoas ficam falando: “Olha lá, o pão com queijo está chegando”. Você recebeu um bilhete para fazer a viagem de primeira classe e muitas vezes você não sabe. Você, um dia foi batizado, mergulhado na graça, foi traçado na sua cabeça um sinal, sinal da cruz. O sacerdote pegou o óleo, espalhou o óleo na sua testa, espalhou o óleo no seu peito e disse: “O Cristo Salvador vos dê a sua força, que ela penetre em sua vida como este óleo penetra agora em vosso peito.
Você recebeu um bilhete de primeira classe, o cristão que viver a vida em um bilhete de primeira classe, aconteça o que acontecer eu tenho que imitar a Deus. Mas quando eu não tenho consciência de quem eu sou, eu imito qualquer bobo que aparece, fica igual um papagaio, que fala o que outro fala. Quem você está imitando? De quem você é filho? Com quem você se parece? A maior alegria para um pai é falar que o filho é a cara dele.
Eu era frater em Brusque, um amigo meu de Botuverá todo feliz disse:
-Frater Léo, meu filho nasceu, você precisa vê-lo, é a coisa mais linda.
Enquanto nós estávamos indo, ele foi contando, que era o rosto de um, orelha de outro. Chegou à maternidade, a enfermeira trouxe e ele:
-É esse aí meu filho?
-Sim, o nome está marcado no braço dele.
Um ano depois, quando Juninho estava fazendo um ano, a mulher dele disse:
-Juninho não é seu filho.
-Eu sei.
-Você sabe? Como?
-Lembra lá no hospital que você me mandou trocar ele? Troquei, peguei outro.
Tem pessoas nadando assim, trocados na vida. Tem pessoas que foram trocadas no hospital, porque o encardido fica lá na porta, esperando para dar o bote. Responda para você mesmo: Por acaso você não está sendo criado pelo encardido? Ele quer criar você. Vocês já viram esses filmes, como por exemplo, em que a babá não pode ter filhos, e cuida dos filhos dos outros, e em um belo dia ela rapta as crianças, cria como se fosse delas e vai ficando doente mental? Ou é um casal que não pode ter filhos e rouba a criança. Já viram isso? Quantas vezes ouviram falar?
O encardido é assim, ele não pode ter filhos, ele não cria nada, ele é a derrota por excelência, ele não cria nada que presta, ele não pode ter filhos. Então o que ele tenta fazer? Roubar os filhos e filhas de Deus, e cria como se fosse filho dele, e infelizmente nós estamos fazendo cria de encardidinhos pelo mundo, que vivem reproduzindo gestos dele. O jeito de falar, o jeito de pensar.
Nós não nascemos para viver nessa miséria. Quanta ofensa para Deus quando se vê um filho de Deus jogado pelas ruas, jogado na droga, na prostituição. O meu coração dói, arde, quando eu vejo um filho ou uma filha de Deus deformado pelo encardido. Principalmente os jovens, bonitos, cheios de vida. Meninos e meninas lindos, com doze, treze anos de idade, mas já com traços do encardido. Já tem aquela olheira de quem não dormiu direito, de quem está fumando um baseado, na hora em que você vai dar um abraço já sente o cheiro do encardido, de cigarro, maconha, bebida. Você olha para o corpo daquela menina tão linda, que a mãe e o pai cuidaram com tanto amor, que tem uma marca, a marca de Deus. Na verdade duas marcas. A marca de fato, que foi porque ele fez e de direito pelo Batismo. Com doze, treze anos você vê a marca da prostituição, o corpo já todo deformado. Você vê o corpo deformado, pelos cinco milhões de aborto que se cometem por ano no país. Eu vejo os sinais do encardido, quantos filhos e filhas que chegam em Bethânia. No livro Viver com HIV, conta um pouco a história de como nós vivemos em Bethânia, todo trabalho que é feito com pessoas drogadas, você vê aquele menino lindo, em dois meses que ele sai e recai, ele fica irreconhecível, todo esfolado.
Os pais de família, que a mulher e os filhos ficam em casa chorando e pedindo para Deus para proteger o pai, e ele lá no boteco, e quando chega em casa, pelas duas, três da manhã, fedendo, encardido, todo sujo, todo esfolado, aquele olho roxo, vai perdendo os dentes, aquele dedo amarelado de cigarro. O encardido fica pulando de alegria, dizendo para Deus: “olha o que eu fiz com seus filhos’.
Este é o grande pecado, é a pessoa não saber de quem ela é. Eu sou filho e filha de Deus. “Padre eu tenho fraquezas”. Louvado seja Deus, mostre para ele suas fraquezas. O que o encardido faz? Ele tenta colocar em nós uma máscara de fortes. A pessoa que não sabe de quem é filha, ela se dá por qualquer preço, não se sabe se é amado ou amada.
Na casa onde eu moro, eles vêm me contar as suas histórias, quantas vezes eu choro. E eu penso, o menor problema dele é droga, ele não foi amado. Quantas vezes eu peguei meu carro e fui para a zona, duas, três horas da manhã, atrás de um menino, de uma menina que tinha ido a capela comigo, eles iam embora e eu ia deitar. Eu deitava mas não conseguia dormir, eu ficava de um lado para o outro pensando naquela pessoa, pensando onde estava ela, eu levantava às duas, três horas da manhã, pegava o carro e saía para a rua. Ia catando, levava para casa, quando a pessoa tinha casa. Certa vez, uma moça linda pediu oração e disse:
-Padre, eu estou grávida de três meses.
-Louvado seja Deus minha filha.
-Mas eu não sou casada.
-Mais Deus te perdoa, a prova que Deus te perdoa, é que mesmo no pecado ele lhe deu um filho, você pode ser uma mulher honrada.
Eu tiro o chapéu para as moças que tem coragem de assumir ser mãe solteira, eu tenho uma reverência por essas moças, porque eu sei o que elas passaram.
Quantos homens safados que recusaram o filho, e segundo a Bíblia, um dia eles vão se encontrar com esses filhos que eles recusaram, estão soltos, engravidaram moças e quando souberam da gravidez chutaram elas.
-O que eu faço Padre?
-Vamos cuidar dessa criança.
-Mais padre, a minha mãe não me aceita mais, eu não tenho para onde ir, o único lugar que eu tenho para ir é uma tia minha que tem uma zona entre Brusque e Blumenau, ela me ofereceu para trabalhar de garçonete até nascer o bebê, mais depois eu tenho que ficar pelo menos dois anos trabalhando como prostituta, e eu não queria isso padre.
-Eu também não quero.
-Padre me ajuda.
Eu morava em um convento, um convento só de rapazes, padres, não tinha casa. Aquilo foi me dando um desespero, peguei o telefone e liguei para a Jú e expliquei tudo sobre a moça para ela e pedi para ela ajudar. A Jú então ligou para umas Senhoras, e cada ela ajudou com cinqüenta reais, para fazermos um fundo para sustenta-la durante seis meses. E agora, quem vai acolher?
Tinha uma aluna do colégio São Luiz que se chama Dani, que falou:
-Eu vou falar com a mãe, Léo.
Ela falou com a mãe. A Ana e a Dani viviam sozinhas em uma casinha que tinha uma sala pequena, uma cozinha, dois quartos e um banheiro. Uma casa pobre, simples. Foi naquela casa que aquela moça foi recebida. Ampliamos a casa, arrumamos um quarto para ela, ela viveu a gravidez, nasceu, batizamos aquela criança.
Você quer ver católico? Vai à igreja. Lota. Mas em uma cidade pequena, quando vê um padre com uma prostituta dentro do carro às duas horas da manhã o que vão falar? Falaram o que vocês podem e o que não podem imaginar. Mas pode falar o que quiser de você se for mentira, isso um Bispo me disse.
Hoje, graças a Deus temos várias casas de pessoas que vivem de doação, e você vê a restauração que Deus vai fazer. É possível, mas a primeira condição para a pessoa deixar de ser drogada, de ser prostituída, prostituidora, para deixar o álcool, o cigarro, o único jeito que faz você deixar tudo é você tomar a consciência de que você é único, de que você é filho de Deus, que Deus lhe ama, que ele morreu na cruz, deu seu corpo.
Eu tenho direito da herança, eu tenho direito de fazer a viagem na primeira classe, eu tenho esse bilhete, e quando o encardido vem, mesmo que ele venha com um convite muito bonito, eu digo não, eu não vou, porque eu sei de quem eu sou, eu sei que eu sou filho do rei, do rei do mundo, desse e do outro, da vida inteira. Não interessa seus erros, seu passado, você é filho amado de Deus, tome posse dessa graça.
Isso não vale só para quem está na droga, isso vale para nós que talvez somos viciados em outra droga, que é muito pior do que a maconha, a cocaína. Viciado na televisão, na fofoca, calúnia, mentira, consumismo, palavrão. Quantos filhos são criados dentro do palavrão? O marido bebe, a mulher bebe, onde só existem palavras de humilhação, brigas, revoltas. E qual é seu vício? Quantas famílias estão destruídas pelo consumismo? O consumismo destrói a pessoa.
O encardido sabe trabalhar muito bem. Você é criado a imagem e semelhança de Deus, e não da sua espécie, você tem dentro de você um desejo, um sonho de infinito. O seu destino é a eternidade no céu, na graça de Deus, é tudo infinito. Como você não tomou posse desse bilhete, você tenta preencher este desejo de infinito com coisas finitas como roupa. Você tem cinqüenta peças dentro do seu guarda-roupa, mas não sabe qual vestir, nesse corpo que você está sujando com o pecado, não tem roupa que fique bonita.
Comece a embelezar seu corpo, não de fora para dentro, sendo que também é importante, como é importante comer a comida certa, fazer tratamentos médicos, isso é um dom, é um presente, lutar com tudo aquilo, e não se acomodar, o encardido ele nos acomoda. “Eu sou gordo, deixa assim mesmo”. Não sabe que a doença da obesidade começa com um não, ou eu vou atrás de um médico para me ajudar. Cada um de nós tem que saber qual que é a sua fraqueza, o que não se pode fazer é se acomodar.
De dentro para fora, não de fora para dentro. O mundo e o encardido nos olham de fora para dentro, Deus nos olha de dentro para fora, e é por isso que a Eucaristia entra na boca e derrete, ela vai entrando em cada pedacinho do nosso corpo, ela some dentro de nós, para dizer que você tem valor, que você é importante, Deus ama você com amor infinito, ele é perdidamente apaixonado por você. Se você fosse a única pessoa no mundo Deus não amaria você mais do que ele já ama, porque ele só sabe amar de um jeito, que é de um amor eterno, amor infinito, um amor paterno, e nada nem ninguém pode nos separar desse amor.
Você precisa tomar posse desse amor. Eu quero imitar a Deus, e eu vou imitar a Deus porque eu sou filho muito amado, Deus é meu pai que me ama, e é um pai que me ama com amor infinito, é um pai que me ama e criou o universo inteiro para me revelar o seu amor. Deus me ama dia e noite, e é por isso que meu coração bate cento e oito mil vezes em média por dia. Mesmo quando estou pecando. Aliás, quando estou pecando meu coração acelera, dobra as batidas, é Deus dizendo que me ama.
Se até hoje eu tenho imitado o encardido, foi porque eu não tomei posse desse amor, eu estou vivendo no pão com queijo, eu estou me contentando com o mínimo, e porque eu me abasteço com o mínimo eu preciso de tantas coisas fora de mim, quando eu olho para o meu armário, quando eu olho para o meu quarto, para minha casa, eu me pergunto: Senhor eu preciso de tudo isso? Eu preciso de tanta coisa fora de mim?
Senhor eu estou gastando meu tempo, meu dinheiro, buscando coisas fora. Eu quero ter uma casa grande, eu quero ter muitas jóias, eu quero ter o melhor automóvel, eu quero ter a melhor roupa porque eu quero que as pessoas olhem para mim e me elogiem. Mas tudo isso é um jeito de dizer que eu preciso ser amado, eu necessito ser amado, e eu não estou sendo amado. Pelos pecados que eu cometi, pelas coisas que eu fiz para minha vida. Eu tenho carências profundas dentro de meu ser. Carência de amor é minha maior carência Senhor. Eu sei que quem não tem nada dentro de si necessita de muitas coisas externas.
Senhor, meu coração está tão vazio! E é por isso que estou sendo essa pessoa superficial, fingida e mentirosa. Essa pessoa apegada nas coisas mundanas. Como aquela família que tinha cheiro de pão com queijo, eu tenho cheiro de pecado. A minha roupa tem cheiro de cigarros, de bebidas, tem cheiro de sexo. Mas hoje Senhor eu quero mudar de vida, eu quero viver essa santidade e ter o perfume de Deus para as outras pessoas. Eu quero imitar o olhar de Jesus, eu quero ter palavras de força, de entusiasmo e de alegria.
Eu quero suplicar: “Ô Pai! Toma conta do meu ser. Vem Espírito Santo sobre mim, conduza todo o meu ser. Porque eu não quero ser oco, eu quero passar a pensar como filho de Deus, sentir que és meu pai e pedir e poder falar como filho ou filha de Deus”.

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