O amor de Cristo se perpetua na eucaristia

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09/09/2010
Pe. Francisco Sehnem,scj
Na perpetuação eucarística, obra do Espírito Santo, nós podemos encontrar-nos com nosso Deus e Senhor.

Quero, hoje, falar de uma outra ação do Espírito sobre o Coração de Cristo. Refiro-me à oblação eucarística. Ela não ultrapassa os limites de sua vida sobre a terra, visto que nos encontramos como a Eucaristia na última ceia. Em seguida, ela se perpetua, depois da glorificação de Cristo.
São João Damasceno propõe um paralelismo entre a ação do Espírito Santo na concepção virginal de Jesus e a ação do Espírito na conversão eucarística. Ele escreve: “Perguntas como o pão se faz Corpo de Cristo e o vinho se torna Sangue de Cristo? Pois, eu te digo que vem o Espírito Santo e realiza o que está acima de toda palavra e de todo pensamento”.
Há quatro séculos antes, São Cipriano já dizia o mesmo. São Cirilo de Jerusalém deixou-nos esta palavra: “Invocamos a Deus, amador dos homens, que envie o seu Santo Espírito sobre a oblação, a fim de que faça do pão o Corpo e do vinho o Sangue de Cristo”.
Poderíamos, ainda, lembrar as famosas homilias catequéticas de Teodoro de Mopsuéstia. A melhor síntese do seu pensamento, nós a encontramos na oração eucarística IV: “Por isso, nós vos pedimos que o mesmo Espírito Santo santifique estas oferendas, a fim de que se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, para celebrarmos este grande mistério que Ele nos deixou em sinal de eterna aliança”.
As reflexões dos últimos meses levaram-nos a compreender melhor a ação do Espírito Santo em Jesus Cristo. O Espírito Santo forma o Coração de Cristo no seio de Maria, prepara-o plenamente para a missão de docilidade ao mesmo Espírito que o leva ao deserto, à evangelização, à oblação na cruz e à perpetuação na Eucaristia. Temos, assim, uma grande visão de toda esta realidade do Espírito Santo em relação a Jesus Cristo que, de certa maneira, pode chamar-se deveras o Espírito de Cristo.
Na perpetuação eucarística, obra do Espírito Santo, nós podemos encontrar-nos com nosso Deus e Senhor. E, aqui, não encontramos a Deus de um modo qualquer. Encontramos o nosso Deus, que espera a todos nós a sua mesa. Aqui, no encontro com o Coração de nosso Deus, tornamo-nos todos irmãos e irmãs.
É preciso deixar-se envolver por tudo aquilo que acontece ao nosso redor. Estar com os irmãos, condividir o pão é a única maneira de entender, de entrar no coração do mistério. Aqui alimentamo-nos com fogo. E o fogo tende a expandir-se. O dom que recebemos não é para nós. O mesmo Espírito que conduziu o Coração de Cristo, agora impele a todos nós para a missão, para levar vida e esperança a todos os irmãos e irmãs. Também isto é ser ‘devoto’ do Coração de Jesus.

P. Francisco Sehnem, scj.
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