Pe. Vicente , Bth
Maio. Mês das mães. Mês de Maria. Desde criança aprendi esta associação, de tal forma que no imaginário que me faz gente, maio se reveste de uma intencionalidade única. Para mim é impossível viver o mês de maio sem falar de amor. Essa associação é tão forte que a sensação é de que em maio, o amor se materializa de uma maneira bem mais concreta que nos demais dias do ano. É tão forte, que consigo tocá-lo, apalpá-lo no significado profundo de se ter mãe.
Ainda menino, lembro-me de toda movimentação na escola e nas aulas de catecismo com as “Irmãs de Caridade” do asilo. Incentivados por elas, recitei muitos poemas para Nossa Senhora, para as mães, para a minha mãe. Todas as crianças eram convocadas por elas, para a coroação de Nossa Senhora e para a homenagem às mães. As meninas coroavam Maria, representada em belas imagens, e, nós, os meninos, preparávamos as homenagens às mães e nos encarregávamos das flores na hora da coroação. Era fantástico, como se o Céu nos visitasse. A preparação era o mês todo. Os dias eram rechiados de trabalhos, atividades lúdicas, passeios e tantas outras tarefas que exaltavam Maria e a doação das mães. Tudo maravilhoso e envolvente, e que culminava com a chegada do tão grande dia, geralmente o último domingo. Não era apenas uma Coroação de Nossa Senhora, mas a coroação de um mês inteiro dedicado ao amor.
Claro, minha mãe acompanhava tudo muito de perto. Eu, na ansiosa alegria de menino, não via a hora de poder homenagear minha mãe. Em casa, sabia que teria presente. Geralmente, e hoje damos risada por isso, era alguma coisa para a casa. Um eletrodoméstico novo, um aparelho de som coletivo. Nada muito dela, tudo de todos. Lembro-me de certo dia, em que demos uma linda geladeira vermelha. Que verdadeiro evento aquele dia! É viva na memória a chegada da moderna geladeira sangue rubi. Contudo, até a cor escolhida, fomos nós, pai e irmãos, que escolhemos. A mãe mesmo, nada. Era amor de todos, presente de todos. Coisas de mãe. Talvez isso acontecesse, pelo fato de naquele tempo a música que mais arrancava lágrimas nas mamães, repetida a exaustão, ser “ Ela e a dona de tudo, e a rainha do lar” . Coisas daquele tempo.
Mas, a movimentação do mês de maio trazia magia em seu bojo. Éramos convidados a dar um presente todo especial para nossas duas mães, a do Céu e a da terra. Tudo marcado pela simplicidade e pelo amor. Como em casa, o presente era para a “rainha do lar”, ali, tinha a oportunidade de dar algo único, algo de meu, algo singular. Algo feito no meio de uma grande falta de recursos, mas com uma prodigalidade de significado. Geralmente algum trabalho manual e carregado de muitas, muitas flores. Cedo descobri que minha mãe amava flores, de preferência em vasos. Pronto. Era perfeito. Flores para a mãe do Céu, flores para a mãe da terra. Não era difícil detectar naquele ambiente pobre do interior de Minas, mães que viviam do trabalho e da doação plena para a família e filhos como a Mãe de Deus para o seu menino Jesus.
Hoje, em Bethania, recupero essas memórias de menino e comparo-as com as vivências de agora. Novamente encontro mães como a Mãe de Deus. Em sua maioria, as mães dos meus filhos em Bethania são mães que vão até o fim, junto ao calvário de seus filhos. Como me ensinam as mães dos meus filhos. Como Maria, estão firmes no longo calvário de seus filhos crucificados pela dependência química, pelo narcotráfico, pela violência, pela prostituição, pela marginalidade. Algumas caminham, sofridas, mas porém decididas, junto à cruz enfrentando todas as lutas possíveis. As mães Bethania sabem que têm a seu lado a Mãe de Deus, Maria, dizendo-lhes que as entende em sua dor, em sua via crucis. Aqui também, Mãe do Céu e mãe da terra estão juntas.
Lembro-me daquela mãe, que depois de enfrentar o traficante, retirar o filho da boca de fumo sozinha e com os próprios braços, teve que amarrá-lo na cama, a pedido do próprio filho, para não vê-lo novamente naquela vida. A grande pobreza em que ela vivia, as muitas e intensas dificuldades, não lhe roubou o essencial, não lhe tirou o amor que faz a diferença. Pelo contrario, deu-lhe forcas para lutar e vencer. Vejo-a sempre alegre, grande sorriso nos lábios dizendo que por amor, faria tudo novamente. Lembro-me daquela outra, que ensinou o seu menino a rezar a Mãe de Deus e ter a certeza de que Maria sempre o ajudaria. O filho cresceu, se drogou, se prostituiu, se envolver com traficantes e quando no desespero em um buraco, prestes a ser morto pela policia, se lembrou de sua mãe e do que ela dissera da Mãe do Céu. Implorou para que pela sua mãezinha da terra a Mãe do Céu não o abandonasse e o livrasse na hora da morte. Os policiais passaram e não o viram. Saiu do buraco feito bicho, voltou para sua mãezinha da terra e pediu ajuda. Hoje faz estrada em Bethania. Verdadeiro milagre. E o amor se fez mãe e armou sua tenda para nos.
Maio. Mês das mães. Mês de Maria. Sigo feliz como filho. Sigo feliz como padre. Sigo feliz em Bethania. Maio continua mês especial, mês do amor feito gesto, mês do amor feito doação. O amor existe. Milagres existem. Mães ainda são mães, apesar de tudo. Mães ainda são Maria, pela graça de Deus.
Feliz dia das Mães. Feliz mês de Maio para todos nos.
Fique na paz de Deus!
Pe. Vicente,scj
É possível nova motivação?
10/02/2012
Por Palavra em ação
Dia Mundial dos Enfermos
10/02/2012
Por Dom Orani João Tempesta
Vontade de Deus, nosso lugar
10/02/2012
Por Catequese
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2012
09/02/2012
Por Papa Bento XVI
Luzes permanentemente acesas
09/02/2012
Por Dom Murilo S. R. Krieger,scj
Neste final de semana iniciamos as etapas formativas de 2012.
São João Batista
(48) 3265-4415Lorena
(12) 3157-8317Guarapuava
(42) 3622-7457Curitiba
(41) 3378-5763