Pe. Vicente , Bth
Janeiro é mês privilegiado para férias. Tempo de desacelerar. No primeiro mês do ano é comum ver crianças em casa esperando uma atividade diferente daquela da escola. Encontramos aqueles que podem, saindo em direção a locais especialmente preparados para descanso e lazer. É tempo justo, merecido.
Lendo sobre a ótica de Bethânia, reconhecemos com extrema facilidade a tentação e o perigo do ativismo. O risco é viver muito mais “Marta do que Maria”. Corremos o ano todo, “preocupados e agitados” com tantas coisas, que nos esquecemos do essencial. Constato, que nem mesmo nós, consagrados e consagradas ao Senhor, escapamos dessa armadilha do Encardido. Quantas vezes nos pegamos correndo tanto para Deus que nos esquecemos do próprio Deus.
Essa tentação pode ocorrer mesmo nas férias. A grande reclamação é que geralmente, as férias nos afastam de Deus. Por conta, de uma visão distorcida da vida, esse tempo acaba configurando-se numa pausa no ordinário da vida para extravasar excessos e fugir de muitas das responsabilidades do dia a dia. Na verdade, no caso de Deus, o que se faz, quase que inconscientemente é colocá-lo no rol das coisas que se deixam de lado nas férias. Veja a contradição. Mesmo em férias, não se tem tempo para rezar, para ler a Palavra de Deus, para ir ao encontro de “obras de misericórdia”, para fazer um retiro espiritual, e pasmem, para ir à missa. Se as férias são na praia então, um disparate. Quantas famílias reclamam comigo que por causa da praia não conseguem ir à missa.
Constatação. Deus ainda não está em primeiro lugar. Falta amor de todo coração, com toda inteligência, com todas as forças, com toda a alma e conseqüentemente, cede-se à tentação hedonista, materialista e individualista do mundo moderno. Não é Deus no centro, sou eu e minha necessidade de satisfação imediata. Fazer só o que me agrada e me dá prazer. As férias potencializam os pecados do nosso tempo. Não é à toa que o “Big Brother” a mais de uma década é exibido em pleno tempo de férias.
Reflita. Férias é tempo de aproximar-se de Deus com alegria no coração. Tempo de deixar-se tocar pela Palavra de Deus, lê-la e escutá-la atentamente, num exercício para conhecer o Senhor de forma existencial e transformar-se por Ele. Aproveite-a como um caminho para o encontro pessoal com o Senhor. O profeta ensina: “De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos” (Is 50,4). Desejo a você, maravilhosas férias sem deixar de ser discípulo.
Fique na paz de Deus!
Pe. Vicente, bth
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